É verdade que o corpo da mãe guarda células dos filhos para sempre?

Durante a gestação, muita coisa acontece no corpo de uma mãe, e nem tudo é visível! Entre tantas transformações, existe um fenômeno pouco conhecido, mas bastante estudado pela ciência: a troca de células entre mãe e bebê.

Mas afinal…é verdade que o corpo da mãe pode guardar células dos filhos por anos? A resposta é: sim, isso pode acontecer. Mas ainda há muito a ser entendido!

O que acontece durante a gestação

A gestação não é um processo isolado. Embora muitas pessoas imaginem a placenta como uma “barreira”, ela funciona, na verdade, como uma estrutura que permite trocas constantes entre mãe e bebê.Isso inclui nutrientes, oxigênio e também células.

Durante esse processo, células do bebê podem entrar na circulação da mãe, assim como células da mãe podem chegar ao bebê.

Como essas células se comportam no corpo

Depois de entrarem na circulação, algumas dessas células continuam circulando pelo corpo materno, outras podem se alojar em diferentes tecidos.E, em alguns casos, podem permanecer ali por muito tempo. Esse fenômeno tem um nome: microquimerismo fetal-materno.

De forma simples, significa a presença de um pequeno número de células com DNA diferente dentro do mesmo organismo.

Quando isso começa a acontecer

Estudos indicam que essa troca pode começar ainda no início da gestação.

Há evidências de que células fetais podem ser detectadas relativamente cedo, o que mostra que esse processo faz parte do desenvolvimento gestacional.

Essas células permanecem para sempre?

Essa é uma das perguntas que mais despertam curiosidade.

O que a ciência já observou é que, em alguns casos, essas células podem permanecer no corpo da mãe por muitos anos, até décadas. No entanto, isso não acontece da mesma forma em todas as mulheres. A presença, o tempo de permanência e o comportamento dessas células ainda são pontos que continuam sendo investigados.

Onde essas células podem estar

Pesquisas já identificaram células de origem fetal em diferentes partes do corpo materno.

Entre elas:

  • sangue
  • pele
  • órgãos como fígado e pulmões
  • e até em outros tecidos, em estudos mais específicos

Apesar dessas descobertas, ainda não se sabe exatamente qual é o papel dessas células nesses locais.

E quando a gestação não chega ao fim?

Esse é um ponto importante.A troca de células pode acontecer mesmo em gestações que não evoluem até o final. Ou seja, em alguns casos, mesmo uma gestação interrompida pode deixar registros biológicos no corpo.

Esse é um aspecto que vem sendo estudado com mais profundidade nos últimos anos.

O que a ciência ainda está buscando entender

Apesar dos avanços, ainda não há respostas definitivas sobre o impacto dessas células no organismo. Existem muitas hipóteses, mas a comunidade científica ainda investiga:

  • como essas células se comportam ao longo do tempo
  • qual é o papel delas no corpo
  • e quais podem ser suas implicações

Atualmente, há diversos estudos em andamento ao redor do mundo, buscando entender melhor esse fenômeno.

No fim, a ciência ainda está reunindo respostas!

Mas uma coisa já é certa: a gestação deixa marcas que vão além do que é visível! E, enquanto novas descobertas surgem, esse fenômeno segue lembrando o quanto o corpo materno carrega histórias que nem sempre conseguimos ver, mas que fazem parte dessa jornada linda! ❤

*Fontes:

• Bianchi DW, Zickwolf GK, Weil GJ, Sylvester S, DeMaria MA. (1996). Male fetal progenitor cells persist in maternal blood for as long as 27 years postpartum. Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

• O’Donoghue K. (2008). Fetal microchimerism and maternal health. The Lancet.

• Dawe GS, Tan XW, Xiao ZC. (2007). Fetal microchimerism: implications for maternal health. Journal of Reproductive Immunology.

• Boddy AM, Fortunato A, Sayres MW, Aktipis A. (2015). Fetal microchimerism and maternal health: a review. BioEssays.

• Peterson SE, Nelson JL, Gadi VK. (2013). Fetal microchimerism in women with a history of miscarriage. PLoS ONE.

• Cómitre-Mariano L, et al. (2022). Microchimerism: an overview and clinical implications. Frontiers in Immunology.

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